O vírus Influenza A é formado por oito “cromossomas” distintos que funcionam como entidades individuais para a replicação. Estes “cromossomas” são na verdade ribonucleoproteínas virais (vRNPs), porque são formadas por RNA (ribonúcleo) e 4 proteínas virais (proteínas). Os oito vRNPs têm tamanhos diferentes e estão arranjados em cada virião com a seguinte estrutura: 7 vRNPs na periferia e um central (Figura 1).
Este arranjo não é só visto em viriões em formação na célula tal como na figura 1, mas também em viriões isolados e purificados de preparações clínicas, o que sugere que há interações entre os diferentes segmentos que mantêm esta estrutura. Adicionalmente, os vRNPs têm um certo tipo de polaridade dado que estão somente associados a um lado da periferia do virião.
Este arranjo é extremamente importante, porque viriões sem um destes segmentos não serão competentes para infetar as células. Ou seja, se conseguirmos interferir com este arranjo, podemos interferir com a infeção viral. É então do interesse dos cientistas compreenderam esta formação. Mais precisamente, este arranjo de 7+1 vRNPs levanta as seguintes questões:
1) Será que este arranjo é rígido e que o vRNP central é constante?
2) Quais são as forças que mantêm os vRNPs unidos?
3) Onde é que se forma este conjunto de 8 segmentos diferentes: dentro da célula ou na membrana plasmática?
O trabalho de muitos investigadores elucidou que o vRNP central não é sempre o mesmo, ou seja, não há um segmento principal que coordene a ligação entre todos os outros. Na verdade, há uma certa flexibilidade na formação do conjunto dos oito segmentos. Relativamente ao ponto 2, neste momento os investigadores pensam que é o próprio material genético que interage entre os diferentes vRNPs e mantém as estruturas unidas, dado não ter sido identificada qualquer proteína neste processo. Relativamente ao terceiro ponto, é bastante difícil distinguir os vRNPs dentro da célula, dado que estes são muito pequenos e confundem-se com outras estruturas.
Até hoje não havia evidencia de formação do conjunto dos oito segmentos dentro da célula, e conseguem encontrar- se conjuntos de oito apenas em viriões que já estão no processo de saída, o que sugere que este mecanismo ocorre à superfície. No entanto, há novos dados que sugerem que os diferentes vRNPs estão no mesmo sítio e ao mesmo tempo no interior da célula. Assim sendo, é ainda possível que se venha a descobrir um novo mecanismo pelo qua os oito vRNPs formam um complexo. Uma coisa é, contudo, certa: este processo de escolha e empacotamento dos oito segmentos é seletivo e crucial para a formação do virão, estando codificado no seu RNA.
Figura 1 – Imagem de microscopia electrónica de transmissão de viriões de gripe A a emanarem de células infectadas. De salientar que cada virião tem um estrutura semelhante entre si com um arranjo de 7 RNA +1 RNA central.
Autores: Noda T & Kawaoka Y
Rev. Med. Virol. 2010; 20: 380–391.
DOI: 10.1002/rmv
9 de December de 2013 às 07:52















