Os vírus da gripe têm formas distintas (são pleiomórficos). Vírus que são mantidos em laboratório são predominantemente esféricos ou elípticos (Figura 1, C-D), e vírus isolados de amostras clínicas são filamentosos (Figura 1, D-E). Vírus utilizados para vacinas são produzidos em ovos embrionados e têm uma forma esférica. E saber isto é importante? É.
O comprimento destes vírus filamentosos é variável mas no caso mais extremo chegam a ser 370 vezes mais compridos que os esféricos (cujo diâmetro médio ronda os 100 nanómetros; um nanómetro é um milionésimo de milímetro). O tipo filamentoso é uma característica genética, conferida por 2 proteínas virais, sendo possível converter uma morfologia na outra, introduzindo mutações no vírus. Contudo, a sua prevalência em isolados clínicos e a capacidade de vírus esféricos adquirem formas filamentosas se passados para animais, é uma forte indicação que a forma filamentosa é essencial para a sobrevivência do vírus na natureza.
A forma filamentosa pode facilitar, por exemplo, a transmissão do vírus de uma célula onde foi produzida, para a célula adjacente ou facilitar a passagem do vírus pela camada de muco que protege os pulmões. A morfologia do vírus traz grandes consequências para a infecção. Qualquer virião tem de entrar na célula para conseguir replicar-se. A célula tem cerca de 40 micrómetros de largura, o que dificulta a entrada de vírus filamentosos. Os mecanismos celulares que permitem aos vírus filamentosos penetrarem nas células ainda não estão bem caracterizados pela ciência mas são bem diferentes da dos esféricos, cujo mecanismo está bastante bem elucidado, sendo uma área bem interessante na investigação e que pode inclusivamente dar origem a novos medicamentos antivirais. Afinal, se o vírus não conseguir entrar na célula, não conseguirá provocar doença.
Figura 1- Células epiteliais de alvéolo pulmonar não infectadas (A-B) e infectadas com 2 estirpes de vírus da gripe distintas (C-F): influenza A/Puerto Rico/8/34 H1N1 e influenza A/Udorn/307/1972 H3N2. As setas indicam exemplos de vírus esféricos (D) ou filamentosos (F) a projectarem-se das células. Imagens de microscopia electrónica de varrimento de uma célula (esquerda) ou de uma pequena parte da célula (direita). Créditos: Maria João Amorim (Cell biology of viral infection, IGC)
24 de November de 2013 às 06:46















