Uma equipa internacional descobriu um defeito genético humano que poderá explicar porque a gripe torna algumas pessoas mais doentes do que outras.
Num artigo na revista Nature, investigadores britânicos e americanos, referem que a variante ‘defeituosa’ do gene IFITM3 era muito mais comum em pessoas internadas com a gripe do que naqueles que foram capazes de lutar com a doença em casa, recuperando por si próprias.
Isto poderia explicar porque, durante a pandemia de 2009, a maioria das pessoas teve sintomas leves, enquanto outras adoeceram gravemente e faleceram. Depois de pesquisarem bases de dados genéticos que cobrem milhares de indivíduos, encontraram evidências de que cerca de uma em cada 400 pessoas pode ter a variante genética defeituosa.
O líder do estudo, o britânico Paul Kellam, do Wellcome Trust Sanger Institute (WTSI), afirmou que o gene, chamado ITFITM3, parece ser uma "linha crucial da frente de defesa contra a gripe". A presença do IFITM3 em grandes quantidades impediu a propagação do vírus nos pulmões, explicou. Já as pessoas com baixos níveis do gene deram hipótese ao vírus de se replicar e se espalhar mais facilmente, causando sintomas mais graves.
Para o estudo, os investigadores removeram o gene de ratos e descobriram que eles desenvolveram gripe – e os sintomas eram muito piores do que nos ratos que ainda tinham o gene. A perda desse gene podia transformar um caso suave de gripe numa infecção potencialmente fatal.
Por seu turno, Mark Walport, diretor do WTSI, disse: "Durante a pandemia de 2009, muitos de nós acharam estranho que o mesmo vírus provocasse apenas sintomas ligeiros na maioria das pessoas, enquanto, mais raramente, ameaçava a vida de outras".
"Esta descoberta aponta para uma parte da explicação: variações genéticas afetam a forma como diferentes pessoas respondem à infecção", disse Walport. "Aponta para que fatores genéticos afetam o curso da doença em mais do que uma maneira. Variações genéticas num vírus podem aumentar sua virulência, mas as variações genéticas no hospedeiro - nós – são também de muita importância".
No futuro, essa descoberta pode ajudar os médicos a identificar se os pacientes estarão com risco acrescido de serem afectados pela gripe, permitindo que sejam seleccionados para a vacinação prioritária ou tratamento preventivo durante os surtos, escreveram os investigadores, acrescentando que podia também ajudar a desenvolver novas vacinas ou medicamentos que podem protelar os vírus potencialmente mais perigosos, como os da gripe aviária.
O estudo publicado na Nature: http://www.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/full/nature10921.html
2012-Mar














