No que respeita a epidemias como as da gripe, o continente africano apresenta-se como uma zona ‘cinzenta’, com poucos e pouco fiáveis dados. Mas isso pode mudar, se forem dados pequenos passos.
A vigilância da gripe na África Sub-Sahariana poderá ser melhorada e sustentada se as autoridades de saúde nacionais participarem activamente no processo - começando com um pequeno número de sítios sentinela ou hospitais, especificamente seleccionados para a vigilância da doença.
Investigadores do projecto de Vigilância Sentinela para a Gripe em África (SISA), que integra oito países da África Sub-Sahariana - Angola, Camarões, Gana, Nigéria, Ruanda, Senegal, Serra Leoa e Zâmbia -, em estreita colaboração com a OMS, avaliaram as actividades de vigilância da gripe e propuseram protocolos específicos para cada país, visando uma boa qualidade de dados de vigilância epidemiológica. Treinaram também pessoal de saúde em hospitais e ministérios da saúde, que deverão funcionar como pólos de vigilância.
O projecto, com a duração de um ano, terminou em Dezembro de 2011 e ajudou a estabelecer novos sistemas de vigilância da gripe em Angola e Serra Leoa, e reforçou os sistemas existentes nos restantes países. "Muitos países africanos têm fracas capacidades para medir sistematicamente o impacto da gripe", disse Christoph Steffen, líder do programa de gripe e vírus respiratórios. Steffen disse que, embora a pandemia de 2009 tenha fornecido um impulso para melhorar a monitorização da gripe em África, a vigilância da gripe e doenças relacionadas permanece subdesenvolvida no continente.
"Uma das conclusões é a de que se deve manter o sistema pequeno, mas mantê-lo a funcionar". Deu como exemplo a Serra Leoa, que é agora capaz de realizar a vigilância da gripe através dos seus quatro sítios-sentinela. Steffen enfatizou que vigilância da gripe não deve ser iniciada e depois interrompida, pelo que era necessário começar com pequenos sítios-sentinela que possam ser geridos de forma sustentável, a longo prazo.
2012-Abr














